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Ano letivo em escolas públicas de MT será finalizado apenas em 2020

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Ana Adélia Jácomo – Hipernotícias
Após mais de 70 dias de greve na rede pública de ensino de Mato Grosso, os alunos terão que finalizar este ano letivo apenas em 2020. O movimento grevista foi iniciado em 27 de maio, o que somam mais de 50 dias de aulas perdidas. Para a reposição dessas aulas, será necessário a confecção de um novo calendário escolar.
De acordo com o presidente do Sindicato dos professores (Sintep), Valdeir Pereira, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) definirá as datas das reposições, assim que a greve chegar ao fim. Ele afirmou nesta terça-feira (6) que é “impossível” terminar o ano letivo ainda em 2019.
“Esse ano é impossível. Os dias letivos são encerrados em 22 de dezembro, então pra terminar nesse ano teria que incluir aulas nos sábados e domingos. Já estamos com, em torno, de 50 dias letivos perdidos. A gente nem tem a quantidade de sábados e domingos suficientes esse ano para completar o ano letivo. Não tem mais tempo”, disse ele.
Pais de alunos têm se manifestado pelo retorno das aulas. Nesta semana, um grupo com cartazes e faixas pediu pelo fim da greve em frente a Escola Estadual Souza Bandeira, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.
A crise na Educação de Mato Grosso é considerada uma das mais longas da história e já tem repercussão nacional. A última paralisação foi em 2016 e durou 67 dias.
O programa Profissão Repórter, da Rede Globo, vai abordar a greve dos professores de Mato Grosso, num programa que irá ao ar, em rede nacional, no próximo dia 14 de agosto.
SEM PREVISÃO DE RETORNO
Expectativas de que a greve chegasse ao fim foram praticamente descartadas pelos representantes da categoria. Ocorre que nesta segunda-feira (5) o governador Mauro Mendes publicou no fim da tarde uma proposta para os professores, e adiantou que seria sua última tentativa de acordo com a categoria.
No documento, Mendes propôs que a RGA e a Lei da Dobra do poder de compra serão pagos a partir do próximo ano, desde que haja condição para elevação de gastos com folha (abaixo de 49% da Lei de Responsabilidade Fiscal).
O Governo estabeleceu que 75% de um possível espaço fiscal será usado para pagamento da RGA de todos os servidores públicos do Estado. Outros 25% serão destinados aos aumentos previstos em lei para carreiras como a Educação, Meio Ambiente e Fazenda.
No entanto, o dirigente sindical Henrique Lopes afirmou que a proposta é tão vaga que chega a “tirar do horizonte” a possibilidade de as reivindicações serem cumpridas.
Os profissionais da educação deflagraram a greve geral para reivindicar a integralização do 7,69% da lei da dobra do poder de compras até a próxima data base; compromisso aos percentuais que vencerão durante a gestão do governador Mauro Mendes da LC 510/2013; e, suspensão imediata do corte de pontos e a restituição dos valores descontados em razão da greve.
“O que a categoria sempre estabeleceu como parâmetro é que o Governo apresentasse a integralidade da Lei 510 até a próxima data-base. Olhando, assim por cima, a proposta é um documento que tira inclusive do horizonte a integralidade da dobra do poder de compra para 2023. Quando ele ‘amarra’ essa questão no percentual que sobrar da diferença entre receita e despesa, não há pra ninguém a garantia. Não se sabe nem se essa sobra é suficiente para cobrir a inflação do período. A coisa está muito obscura por parte do Governo”, disse ele em entrevista à Rádio Capital, nesta terça-feira (6).

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