Gustavo Sampaio
Jornal da Cidade
O elenco da Ponte Preta decidiu paralisar as atividades nesta quarta-feira por causa dos atrasos salariais. Em nota, o grupo classificou como abandono a situação vivida no clube e citou que a paralisação será mantida até a regularização das pendências.
Uma notificação foi entregue ao executivo João Brigatti pelos atletas e também enviada por e mail para a presidência e para o departamento jurídico do clube. A decisão vale para treinos e também para jogos.
A próxima partida da Ponte na Série B está marcada para domingo, contra o América-MG, em Belo Horizonte, mas a diretoria espera evitar o W.O com o uso das categorias de base.
Situação delicada
Sem vencer há 18 rodadas, a Ponte amarga a lanterna, com apenas 10 pontos em 24 jogos, e caminha para um rebaixamento que parece inevitável diante do cenário caótico fora de campo.
Um ultimato já tinha sido dado na semana passada, quando os jogadores publicaram que alguns estão sem receber há cerca de seis meses e iam parar o futebol do clube se as pendências não fossem regularizadas até o dia 25 de agosto (última terça-feira).
Sem o pagamento realizado dentro do prazo estipulado, os atletas buscaram respaldo jurídico com os advogados Filipe e Thiago Rino para tomar a decisão.
Eles se reapresentaram no CT do Jardim Eulina, mas deixaram o local sem treinar por volta das 8h50. Quando o vice-presidente Marco Antonio Eberlin chegou, muitos já tinham ido embora. O dirigente determinou que os demais entrassem para uma conversa. Na sequência, o portão foi fechado.
Um comunicado assinado pelos jogadores foi divulgado com fortes críticas à diretoria alvinegra, dizendo que foram abandonados pelo comando do clube, atualmente presidido por Luiz Torrano, com Marco Antonio Eberlin de vice e também diretor de futebol.
A data escolhida pelos jogadores para o ultimato tinha relação direta com a Assembleia Geral Extraordinária da última segunda-feira para a votação sobre a mudança para SAF – mas a reunião foi suspensa sem uma definição em meio a um clima tenso, com tumulto entre integrantes da diretoria executiva e oposição.
Havia a expectativa de um aporte financeiro inicial para ajudar na regularização das pendências. Esse valor estaria vinculado à transformação do clube em SAF: caso a operação fosse aprovada futuramente com o grupo interessado, seria considerado uma espécie de adiantamento; se a proposta não avançasse, o dinheiro seria tratado como empréstimo a ser pago pela Ponte.
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