segunda-feira, 15 junho, 2026
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Engenheiro vive horas de aflição preso com paramotor em nuvem durante tempestade em MT

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G1/MT
Um engenheiro agrônomo ficou preso com um paratrike em uma nuvem durante uma tempestade, em Porto Alegre do Norte, a 1.143 km de Cuiabá, na noite de sábado (21), e só conseguiu pousar cerca de 3 horas depois. Osvaldo Henrique Gunther, de 27 anos, disse que sentia muito frio e desmaiou algumas vezes quando estava em meio à nuvem. Ele foi resgatado na manhã do dia seguinte.
Ele pratica o esporte há cerca de sete anos e nunca havia sofrido nenhum acidente. Mas nesse dia ele disse que se arriscou, acreditando que a chuva, com rajadas de vento, ainda iria demorar, a ponto de dar tempo de fazer um sobrevoo curto pela cidade, no fim de tarde.
“Foi um deslize, uma métrica errada. Nunca tinha voado nessa região, mas sempre fazemos uma avaliação antes. Vi que tinha umas nuvens, mas achei que desse tempo. Foi um momento de autoconfiança, eu não deveria ter decolado”, afirmou o agrônomo.
Ele fez curso para pilotar o equipamento e tem carteira da Associação Brasileira de Paramotor. O paratrike é a combinação do parapente com um trike – veículo motorizado.
A decolagem foi no aeroporto e a intenção era pousar na cidade, numa distância de cerca de 3 km. No entanto, o sobrevoo não deu certo como o planejado e a tempestade teve início quando ele estava no alto.
“Quando percorri cerca de 6 minutos de voo, a nuvem da tempestade me sugou. E, em vez de eu ficar sendo engolido pela tempestade, decidi mudar o curso. Desliguei o morto para a hélice não funcionar. A tempestade estava atrás de mim. Entrei na nuvem, não dava para enxergar nada. Fiquei uma hora dentro da nuvem. Foi um milagre. Ninguém sabe como consegui sair”, explicou.
Osvaldo mora em Primavera do Leste e está em Porto Alegre do Norte a passeio, para passar o Natal com os parentes que moram na cidade.
Quando entrou na base da nuvem, ele estava em torno de 2,5 mil metros de altura e, dentro dela, chegou a ficar 3,5 mil metros acima do chão.
O engenheiro contou que normalmente passa no máximo duas horas no ar, mas que nesse domingo pretendia ficar 10 minutos, já que havia notado a chegada da tempestade.
No céu, ele sentiu muito frio. “ Meus pês e mãos começaram a congelar. Desmaiei algumas vezes- e por Deus comecei a descer, quando vi umas luzes por causa do reflexo dos relâmpagos. Comecei a voltar os sentidos e fui para o pouso numa área aberta. Consegui pousar em uma área de pasto. Começou a chover e fiquei embrulhado na asa do equipamento”, relatou.
Ele não teve ferimentos.
No dia seguinte, ele saiu em busca de ajuda. Caminhou durante cerca de duas horas, até chegar a uma fazenda, onde não havia ninguém no momento, mas ele conseguiu sinal para entrar em contato com a família e explicar a localização.
Os parentes dele entraram em contato com o dono da fazenda, que já estava a caminho da propriedade. Em seguida, a família foi até o local buscá-lo.
Ele disse que apesar do susto pretende aproveitar o feriado prolongado para fazer sobrevoos com a família.

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