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CONTRA A PAREDE: Prefeito cobra mais UTIs do governo e ameaça arrochar medidas restritivas

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Allan Pereira
RD News
O prefeito Zé Carlos do Pátio (SD) deu um ultimato ao governador Mauro Mendes (DEM). Disse que irá tomar medidas mais drásticas em Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá), caso não tenha apoio para aumentar o número de leitos de UTIs. O município é o terceiro mais populoso de Mato Grosso e, igualmente, o terceiro em número de infectados com coronavírus, com 172 casos, sendo 9 mortes. “Nós vamos tomar atitudes limites. A situação está ficando crítica”.
Em coletiva virtual na manhã de hoje (3), Pátio criticou Mauro por inaugurar 120 leitos de UTIs em Cuiabá, e dar somente 10 para Rondonópolis. Disse que, para o sistema da cidade, que também atende a região sul do estado, o município tem uma população equivalente a da Capital. “Não dá para tratar Cuiabá diferente. Hoje, nós somos uma Cuiabá”, compara o prefeito.
Como antecipação as novas medidas, o prefeito proibiou estabelecimentos comerciais de funcionar depois das 22h. Também institutiu que bares e restaurantes não funcionem aos sábados e domingos. Além disso, determinou que as empresas da cidade que, caso tenha um funcionário diagnosticado com a Covid-19 (a doença casuada pelo coronavírus), pague para que todos os demais trabalhadores passem por exames.
Informa que tem uma lista com 32 empresas onde há funcionários com a Covid-19 e que, se em 24h não pagar exames para todos seus trabalhadores, serão fechadas por sete dias.
O apelo do prefeito vêm depois de analisar a taxa de ocupação dos leitos na cidade. Na live, Pátio disse que cerca de 70% das UTIs dos hospitais privados já estão ocupados com pacientes com a Covid-19. No setor público, a porcentagem se aproxima dos 50%. Rondonópolis tem 32 leitos públicos, sendo 10 na UPA, 10 no Hospital Geral e 10 na Santa Casa, além de mais 2 contratados pelo SUS no particular.
Para Pátio, a quantidade de leitos é pouca. Teme o colapso do sistema de saúde da cidade que, a partir do momento que as UTIs privadas estejam 100% ocupadas, os públicos atuais não deem conta. “Se continuar nessa trajetória, num crescimento acentuado de pessoas infectadas, nós não teremos leitos de UTI para atender a nossa demanda”.
Também não sobrou para os prefeitos das cidades vizinhas. Na coletiva, criticou abertamente o prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin (MDB) , por abrir o comércio. Disse que muitos doentes em estado grave do município são atendidos em Rondonópolis.
Disse também que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se comprometeu a ajudar o municípo com UTIs e respiradores. Apesar de dizer que defende uma harmonia entre a economia e a vida, o prefeito disse que vai escolher a segunda ao invés da primeira. As medidas de restrição do comércio e de exame obrigatórios em empresas devem ser publicados em decreto.

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