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DIA DA MULHER ‘Não existe desenvolvimento rural sem a sensibilidade feminina’, defende pecuarista de Mato Grosso

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Da Assessoria
Elas acordam antes do sol nascer, coordenam equipes, tomam decisões estratégicas sobre manejo, genética e mercado e ainda encontram tempo para inovar. As mulheres da pecuária mato-grossense têm se tornado protagonistas em um dos setores mais importantes da economia do estado. “Não existe desenvolvimento rural sem a sensibilidade, sem a empatia feminina”, afirma a pecuarista Mara Ferreira, que possui uma propriedade em Diamantino (208 km a médio-norte de Cuiabá).
Por décadas, a imagem da pecuária foi moldada por figuras masculinas: o fazendeiro, o peão e o veterinário. Nos últimos anos, esse cenário mudou de forma consistente. Além da gestão das propriedades, a presença feminina se expandiu para áreas técnicas como medicina veterinária, zootecnia e agronomia, além de funções estratégicas ligadas à comercialização, gestão financeira e adoção de tecnologias no campo.
Mara teve a infância marcada pelas experiências vividas no campo, onde, desde pequena, convivia com os animais na chácara do avô. Depois, acompanhou o trabalho dos pais na fazenda, que influenciaram a escolha de sua carreira: ser médica veterinária.
“Eu atuo nessa parte reprodutiva, inseminação artificial, faço a parte clínica também, algumas cirurgias, trabalho muito na questão de orientação de sanidade, a parte nutricional também, a parte ambiental. Foi um sonho de infância que se concretizou”, conta Mara.
A escolha da carreira também já influencia as futuras gerações. “Eu tenho a minha filha que está prestando vestibular para medicina veterinária, então eu sou muito realizada e feliz”.
Sobre a participação feminina na pecuária, Mara afirma que as mulheres sempre estiveram presentes, porém agora estão dentro das decisões. “A mulher sempre esteve à frente dos negócios, sempre esteve ali no campo trabalhando. Eu acredito que ela só ficava ali de uma forma silenciosa”.
“A gente tem muito a contribuir. Às vezes não tem aquela força física do homem, mas a gente entra com o lado delicado, social, de inovação, de uma opinião, com tarefas multidisciplinares que a gente encaixa perfeitamente bem. Então, com certeza a mulher é bem-vinda no meio rural e ela pode estar onde ela quiser”, enfatiza a pecuarista.
Para Paula Sodré Queiroz, diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a presença feminina na pecuária estadual deixou de ser exceção para se tornar parte estrutural do setor. Com trajetória construída dentro de uma das entidades estratégicas da cadeia produtiva da carne em Mato Grosso, ela observa de perto essa transformação.
“A mulher sempre esteve na pecuária mato-grossense. O que mudou é que agora ela está sendo ouvida. Estamos ocupando espaços de decisão, de técnica, de liderança. É uma tendência clara e consistente, que tem trazido importantes transformações no campo”, destaca Paula.

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