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Ministério da Saúde alerta para colapso no fornecimento de oxigênio em cidades de MT

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Agência Senado
A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) solicitou ao governo do Estado ajuda para socorrer as prefeituras que estão com falta de cilindros de oxigênio, material indispensável no tratamento de pacientes com covid-19, especialmente os mais graves.
Sem citar as cidades que enfrentam o problema, o ofício da AMM argumenta que houve um aumento significativo da demanda pelo produto. As prefeituras teriam recorrido à associação pra intermediar a negociação junto ao governo, pois a situação é grave e está piorando com o aumento dos casos e internações em março.
“Alguns municípios já fizeram mutirões, com a participação da sociedade para viabilizar as aquisições dos cilindros de oxigênio, mas ainda assim a insuficiência persiste e pode ganhar contornos ainda maiores nesta segunda onda da pandemia”, afirma o presidente da AMM, Neurilan Fraga.
Entre os casos recentes está o de Peixoto de Azevedo, que pediu doações dos comerciantes para conseguir os cilindros de oxigênio, pois o abastecimento é feito em Sinop (500 km ao norte) e não havia vasilhames suficientes para atender os pacientes enquanto era realizada a recarga.
Segundo Fraga, algumas prefeituras tinham o consumo médio de 3 a 4 cilindros diários e em março passaram a precisam de 30 cilindros por dia. E mesmo com as medidas restritivas impostas pelo Estado, como o toque de recolher, os casos continuam crescendo.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram que Mato Grosso registrou, até quinta-feira (18) 282,5 mil casos de covid-19, com 6,6 mil mortes em decorrência da doença. Apenas em 24 horas foram 67 óbitos pelo novo coronavírus.
O Congresso e o Ministério da Saúde precisam negociar uma mudança legislativa com urgência, para que as grandes empresas produtoras de oxigênio medicinal não se recusem a abastecer carretas de envasadores que atendem principalmente cidades do interior.
O alerta foi feito pelo diretor de Logística do Ministério da Saúde, general Ridauto Fernandes, em audiência da Comissão Temporária da Covid-19 nesta quinta-feira (18). O cenário atual é “perigoso”, disse Fernandes, podendo levar ao desabastecimento de oxigênio medicinal na ponta, especialmente em pequenos hospitais e municípios do interior.
A expectativa da falta perigosa desse produto na ponta da linha, nos pequenos hospitais, é de poucos dias. Temos carretas de produtores da Amazônia que estão esperando numa planta [de produção de oxigênio] do interior do Maranhão. Já está com a carreta parada lá há dias, e não é abastecida. Temos envasadores do Paraná que chegam às plantas também e não conseguem abastecer.
Desafio logístico
Representantes das maiores empresas produtoras de oxigênio medicinal também participaram da reunião. Rafael Montagner, da Air Products, resumiu o desafio estrutural que o setor vem passando, devido ao agravamento da pandemia.
— Uma das grandes dificuldades que existe é a falta de previsibilidade ou programação para que a empresa possa se planejar. Há desafios de produção, distribuição e estocagem local. As estocagens são projetadas com o consumo esperado de cada um dos hospitais, mas quando o consumo aumenta abruptamente, há uma pressão descomunal em toda a cadeia distributiva. Há hospitais que multiplicaram em 7, 8, 10 vezes o consumo contratado, e isso pressiona toda a cadeia logística — explicou.
Um relato semelhante foi feito por Newton Oliveira, da Indústria Brasileira de Gases (IBG).
— Encontramos muitas dificuldades, porque hospitais que consumiam um determinado volume hoje consomem 5, 6, até 10 vezes mais do que consumiam. O que gera uma série de dificuldades, como a evaporação do produto. Temos mandado carta aos clientes para que se atentem e planejem o aumento [de demanda], porque uma série de alterações têm que ser feitas para manter o fornecimento em dia. Os tanques são dimensionados para terem uma frequência de abastecimento, então a vazão dos equipamentos é restrita — detalhou.
Gestão centralizada
Para Ciro Marino, da Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), o Ministério da Saúde precisa centralizar de fato esta logística, para que o setor produtivo se concentre apenas na produção. Isso porque as empresas do ramo têm sido sobrecarregadas burocraticamente pelo assédio de secretarias, prefeituras, agências e órgãos em diversos níveis da administração pública, diante do quadro de incertezas.
— Temos pedido com veemência que o governo federal assuma o controle e centralização dessas informações perante autarquias, municípios, entidades e tudo, de forma que as empresas possam se concentrar nos seus negócios novamente. Que é produzir, organizar, expandir capacidades, de forma que o governo federal possa alimentar essas entidades e municípios com informações adequadas — apelou Marino.
Diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Meiruze Freitas detalhou que mecanismos de centralização da gestão da logística relacionada ao oxigênio medicinal devem estar prontos em breve. Isso porque a Anvisa já busca esses dados, que depois serão totalmente repassados ao Ministério da Saúde.
— Passamos a exigir que as empresas informem a Anvisa sobre a capacidade de produção e estoques, isso relacionado até 60 dias atrás. As empresas começaram a levantar essas informações a partir do dia de ontem. Foram notificadas 47 empresas, e até hoje de manhã, 32 responderam. Estamos compilando os dados de forma a disponibilizar diretamente ao ministério, para favorecer as discussões e o manejo com estados e municípios — informou Meiruze Freitas.

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