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SEGURANÇA DO TRABALHO: Mato Grosso tem média de 107 mortes e 14.900 notificações de acidentes ao ano

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ALECY ALVES
Diário de Cuiabá
Em Mato Grosso, 1.285 trabalhadores morreram vítimas de acidente no ambiente de trabalho entre 2012 e 2023.
Esse número representa uma média de 107 mortes ao ano, ou quase 9 mortes ao mês.
No mesmo período, 44.125 trabalhadores tiveram de se afastar das funções por conta de lesões decorrentes de acidentes.
Nesses 12 anos analisados, 179.309 trabalhadores mato-grossenses, ou seja, 14.900 ao ano, notificaram casos de acidentes de trabalho aos órgãos de saúde e previdências.
Somente em 2023, Cuiabá, por exemplo, notificou 2.676 acidentes, 20.8% do total do Estado contabilizado no ano.
Em seguida, em segundo e terceiro lugares, aparecem os municípios de Sinop, com 8.38% 1.114 notificações, e Rondonópolis, com 8.36%, 1.112.
Essas estatísticas são de um estudo realizado pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, órgão.
O órgão utilizou como base de cálculo registros da Previdência Social e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), órgão do Ministério da Saúde.
No país, 31.981 trabalhadores morreram em decorrência de acidentes de trabalho.
As notificações chegaram a 8,8 milhões de ocorrências.
Apesar de os números assustarem, ainda se estima que as subnotificações, ou seja, os casos não registrados, cheguem a 10%.
Nesta segunda-feira, 28 de abril, celebra-se o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.
A data, instituída pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), é em memória das pessoas que são vítimas de doenças e de acidentes no trabalho.
O dia lembra a explosão de uma mina nos Estados Unidos que matou 78 mineiros, em 1969.
AÇÕES TRABALHISTAS – Na Justiça do Trabalho de Mato Grosso, o dado mais recente, de 2023, aponta que havia 5 mil processos em tramitação relacionados a trabalhadores que foram vítimas de acidente.
Dessas ações, 1.800 foram ajuizadas em 2023, número que representa um crescimento de 34% no comparativo com 2022, com 1.350 processos ajuizados.
As ações sobre saúde e segurança do trabalho representavam 7,4% do total de processos em tramitação no TRT mato-grossense.
Em 2023, L.T. P., 35 anos, ajuizou uma ação contra a antiga empresa um ano após sofrer um acidente e ficar afastado do trabalho por quase 90 dias.
Ele, que prefere não se identificar, diz que sofreu uma queda e fraturou o braço enquanto carregava um caminhão com produtos alimentícios.
Dias após, passou por uma cirurgia e teve que se afastar.
Após seu retorno, a empresa o manteve em outra função, mas seis meses depois o demitiu.
“Acredito que entenderam que eu não poderia mais fazer serviços pesados, em função da sequela do trauma ósseo, não servia mais para a empresa”, lamenta ele.
L. diz que recorreu à justiça porque se sentiu prejudicado em seus direitos após cinco anos de dedicação, sem nenhum afastamento por questões de saúde.
“Estou em um novo emprego, mais leve e tranquilo, mas não costumo falar que ingressei com ação contra o antigo patrão”, diz.

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