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Sindicalistas dizem que policiais foram truculentos e vão acionar Corregedoria

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Vinícius Lemos
Os diretores do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, presos na noite de domingo (2), afirmam que foram vítimas de abuso de autoridade por parte de policiais militares. Segundo os sindicalistas, os PMs agiram de modo truculento ao atender a uma denúncia por som alto.
Entre os presos estavam o presidente do sindicato, Edmar dos Santos Leite, 34 anos, e o diretor Everaldo Nunes de Souza, 41. Outros quatro membros da entidade também foram detidos durante confraternização do sindicato, na sede da entidade, no bairro Poção, em Cuiabá. A PM informou que eles foram presos por desacato.
Os membros do sindicato afirmam que foram alvos de abuso de autoridade. Eles comentam que estavam em reunião da categoria, no domingo, para discutir sobre uma possível greve geral. No local, fizeram também uma confraternização.
“Acontece que há um vizinho do sindicato, que é advogado e eleitor do Jair Bolsonaro. Ele viu a manifestação, o churrasco e começou a reclamar, dizendo que a música estava alta”, declarou a advogada Fernanda Vaucher, responsável pela defesa dos membros do sindicato.
Segundo a jurista, a polícia chegou à sede do sindicato pela primeira vez por volta das 18h e foi ao local outras duas vezes. “Em todas as vezes, o pessoal abaixou o som”, disse. Na terceira vez, segundo Fernanda, os policiais invadiram o lugar, mesmo sem autorização. “Eles quebraram o portão e entraram. Levaram papéis do local”, detalhou.
No boletim de ocorrência registrado pelos policiais militares, consta que os PMs entraram no sindicato depois das 22h40. No entanto, a advogada diz que o fato aconteceu antes das 22h. “Isso ocorreu em um horário em que a Lei do silêncio, que vale a partir das 22h, ainda não poderia ser aplicada. Eles cometeram abuso de autoridade”, afirmou.
Os servidores dos Correios, que participavam da confraternização, relataram que a PM vasculhou a sede da entidade e levou documentos que tratavam sobre a greve geral da categoria.
Conforme a advogada do sindicato, aqueles que foram presos durante o confronto com a PM foram machucados em razão da truculência dos militares.
Os seis presos foram liberados na manhã desta segunda (3), após cada um pagar fiança de R$ 1 mil. Eles fizeram exame de corpo de delito para, segundo a defesa, confirmar que foram agredidos. Os representantes do sindicato irão denunciar o caso à Corregedoria da Polícia Militar. Eles também planejam relatar a situação a uma entidade – ainda não definida – que cuide da área dos Direitos Humanos.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a Polícia Militar ainda não se pronunciou sobre as alegações dos sindicalistas.
No boletim de ocorrência, os militares relataram que tentaram realizar uma abordagem no sindicato, após serem convocados por três vezes com reclamação sobre o som da confraternização. No entanto, os policiais disseram que tiveram dificuldades para dialogar, porque os sindicalistas estavam alcoolizados e teriam desafiado os PMs.
Segundo o BO, um dos sindicalistas tentou tomar a arma de um soldado, assim como aplicou uma chave de braço. A PM utilizou spray de pimenta e realizou um disparo de alerta para conter a situação.
Testemunhas relataram que, antes da chegada da polícia, um dos suspeitos disse que voltaria lá para “resolver” as coisas. Segundo um dos vizinhos, um dos membros da festa disse “nós estamos aqui somente de passagem, mas vocês estão fixos no local e são fáceis de serem encontrados”.

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