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Esquema de propina teria pago R$ 175 milhões a 38 deputados e ex-deputados, diz suposta proposta de delação de ex-presidente da ALMT

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G1/MT
Documentos que teriam sido entregues pelo ex-deputado estadual José Geraldo Riva ao Ministério Público Estadual (MPE), como parte de uma proposta do acordo de colaboração premiada, trazem à tona um suposto esquema que teria pago R$ 175 milhões em propina entre os anos de 1995 e 2015.
No documento de 105 páginas consta uma lista com os nomes de 38 deputados e ex-deputados que teriam recebido mensalinho para aprovar e não atrapalhar os interesses do governo.
José Riva admitiu que existe um pedido de delação feito por seus advogados, mas não confirmou que o mesmo documento que vazou. Já o MP não confirma a autenticidade do documento e diz que o assunto é sigiloso.
Dos citados, Romoaldo Júnior (MDB), Carlos Avalone (PSDB), Dilmar Dal Bosco (DEM) e Ondanir Bortolini (PSD), o Nininho, estão no cargo. (O posicionamento de cada um deles sobre a proposta de delação consta na lista ao final da matéria).
Os pagamentos eram feitos com a ajuda das empresas que mantinham contratos com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), de acordo com o documento.
O ex-deputado, que é ex-presidente da Assembleia, teria entregado cópias de transferências bancárias, depósitos bancários, notas promissórias, depois de 1995, que comprovariam o pagamento de propina aos deputados, sob o argumento de “manter-se à governabilidade”.
Entre 2015 e 2018 os deputados da base aliada teriam recebido propina mensal de R$ 15 mil e de 1998 a 2002, entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. No entanto, alguns deputados recebiam a mais, como o presidente e o primeiro-secretário, que recebiam três vezes mais que os demais deputados. Também recebiam verba para custear a eleição, que chegava a ser quatro vezes maior.
Continuidade do esquema
Depois de 2002, quando o ex-ministro a Agricultura Blairo Maggi assumiu o governo do estado, o esquema de pagamento de mensalinho continuou, segundo o documento que teria sido protocolado por José Riva.
O ex-deputado afirmou, em suposta tentativa de delação, que, ao tomar posse, o próprio governador sugeriu que poderia manter o esquema de outra forma e se dispôs a repassar o montante da propina para a AL/MT,Assembleia com um adicional, acrescentando “um vultoso valor no orçamento do Parlamento, ainda que a título de suplementação”.
Entre 2003 e 2010, período em que Blairo Maggi esteve no governo, Riva disse que ele e os outros presidentes, entre eles o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Sérgio Ricardo, receberam entre R$ 30 mil e R$ 35 mil por mês de propina, segundo o documento.
Blairo Maggi disse ter tomado conhecimento pela imprensa da proposta de delação premiada que o ex-deputado José Riva apresentou ao MP e que não teve acesso ao documento.
Conforme o documento, a prática criminosa se perpetrou e continuou no governo Silval Barbosa, e, mesmo se não tivesse recursos financeiros, a Assembleia recorria a empréstimos junto a factorings ou até mesmo a agiotas. Posteriormente, esses empréstimos eram pagos com a mesma fonte de recursos utilizados para atender aos deputados, ou seja, com a utilização de empresas fornecedoras de materiais ou de prestação de serviço.
No governo Silval Barbosa, entre 2010 e 2015, os presidentes, membros da Mesa Diretora e alguns assessores, chegaram a receber R$ 50 mil por mês.
Silval Barbosa ainda não se manifestou sobre o caso.
Propina
O documento diz que, na gestão Silval Barbosa, todos os 24 deputados receberam propina e que, nos governos de Maggi e de Silval Barbosa, o ex-deputado Gilmar Fabris chegou a receber propina mesmo quando era suplente e que recebia o dobro que os demais parlamentares, porque tinha tratamento privilegiado.
José Riva disse, na suposta delação, ter recebido R$ 20.760 milhões em propina no período de 2003 a 2015.
Da lista apresentada, ele teria recebido o maior valor, seguido do também de Mauro Savi, R$ 12.186 milhões; Gilmar Fabris, R$ 12 milhões; Sérgio Ricardo, R$ 10.880 milhões; João Malheiros e Sebastião Rezende. Os dois últimos teriam recebido R$ 7.520 milhões cada.

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