(Extraído da revista ALTA FLORESTA- ANO 7 -Edição Especial)
Para os leitores da revista ALTA FLORESTA – ANO 7 que não tiveram o privilégio do convivio com esta extraordinária personagem que um dia a história reconhecerá, aqui vão algumas respostas à pergunta acima, recolhidas aqui e ali, de observadores que opinaram sobre o mais visível deste “fazedor de cidades” ou “último dos bandeirantes”.
É um homem do mundo, mas tem que rebolar para não ser atropelado pelo novo. Delicado pra fora, violento pra dentro. Solicitude e esquivança compõem o seu espectro. Gosta de compartilhar, é bisbilhoteiro. Gostaria de ajudar todo mundo,, viver todos os lances. Opera sempre na faixa da delicadeza, por gostar de gente. É casado, casadíssimo, com a família toda . Como pai, pode ser considerado uma mãe exemplar. Batizado, católico sem muita indagação, pouco prático, individualista, temeroso e temente, sentimental e meninamente ledor da vida de santo, comovível por todo e qualquer ato de bondade. Nascido aos 25 de novembro de 1915. Infância sem privações, com espaço, muita festa religiosa, tudo barroco, a família, domingos, pastel, doce de coco, um pouco de asma. Deve ter sido bom aluno enquanto estudou, casualmente ótimo. Mas nunca teve método. É humilde por vocação, odeia o ostensivo. Para andar razoavelmente bem vestido, tem de fazer força. É meio orgulhoso, mas democrata. Saúde, boa. Melhora com a idade. Aos 80, estará perfeito. Confia no coração, mas tem medo do enfarte. Quer ser enterrado na terra pura, pra alma não ficar presa nem carregar peso. Tem enorme fé em Deus! Um medinho de envelhecer sem dignidade. Medo do ridículo. Conhece as imposturas. Só dá valor ao que é ganho com sangue, suor e lágrimas. Toda vez que fala no trabalho, tara. Até hoje não enjeita serviço. Paulista, tem mulher e quatro filhos mineiros, sendo mais mineiro que a soma de todos. É líder nato, desses de nunca levantar a voz. Mas prefira estar longe dele quando a raiva vence. Sempre deixou a vida acontecer. Pois não foi até garimpeiro de diamantes? Conheceu muita gente, passou por muitos lugares, teve muitas encruzilhadas, aprendeu de tudo um pouco, mas no fundo não se deixou tocar. É um coração inclinado à misericórdia. Faz lá seu juízo sobre coisas, fatos e pessoas, mas o que seria interessante dizer considera cedo ou inconveniente. Acha que tem mais do que pediu e às vezes se sente como alguém que é iluminado por uma indefinível luz divina. Por isso, divinamente ilumina. Horror ao arbítrio. Prefere a autoridade consentida, a que congrega, que motiva mas não submete. É o anti-egoísmo em pessoa e visceralmente conciliador. Perdeu a capacidade de se irritar diante do que lhe parece iníqüo, mesquinho, ávaro. Não se leva muito à sério, gosta de graça, ri da vida, do espetáculo humano. Sempre foi assim, meio gaiato. Não seria médico, mas seria ator. Porque tem a consciência do drama, é um humorista amador. Mas pretende ainda ter seus rompantes, seus compromissos de dignidade, suas reservas de maluquice por indignação moral. Pretende ser o máximo de tolerante, mas quer ser exigente para consigo mesmo. Acredita-se tão humilde, tão não-querendo-nada-com-nada. E quer tudo, ao mesmo tempo em que de tudo abre mão. Quer ser rei da FRANÇA Gostaria de intervir em tudo, eleger o suplente de sub secretário de um clube suburbano que tivesse: por objetivo qualquer causa idiota. E não quer nada, apenas ajudar a resolver problemas, no mais da vezes, dos outros. É imóvel e semovente. Um poço de contradições. Sabe que tudo implica em riscos e quer correr riscos. É tão prudente, tão cauteloso, tão conselheiro e ao mesmo tempo irreverente. Gostaria de saber tantas coisas ou de saber uma coisa só, mas muito bem. É versátil. Sabe alguns minutos de muitos assuntos, mas quer ser ignorante, inocente. Procura ser natural e corrente como um córrego. Há momentos em que entende de tudo, vê tudo, É vidente. Transvê. Macrovê. Mas não se conhece. Há algo de imã nele: os pobres-diabos são atraídos, farejam e se irmanizam, perseguem-no, não o largam. O sujeito humilde cuja sogra tem reumatismo deformante vê logo que ele é o confidente ideal·, envolve-o, imobiliza-o. E ele atende do ministro ao mendigo com a mesma dignidade. Sabe guardar segredo. Adora segredar, adora confidências. ao mesmo tempo, é bicho do mato. Leva a sério todo mundo. Tem horror ao ressentimento e ojeriza à subserviência. Em política quer a paz, quer ordem, quer evitar a explosão de tudo. Foge das crises mas sabe que a crise é criadora. É esguio, esquivo, esperto. É tudo isso mas sabe não ser nada disso. MAHATMA ARIOSTO.
Wanderley Alves Pereira
QUEM TE CONHECEU NÃO TE ESQUECE
SOU UM DELES
Cézar Mário Dalla Riva




