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REALIDADE DE AF e MT: Mãe espera há três meses, mas Politec não libera corpo de seu filho assassinado

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Por Arão Leite
Alta Floresta/MT – A pandemia, mas principalmente a falta de servidores da Politec no estado de Mato Grosso tem provocado muitos transtornos e desesperos à famílias de pessoas que morreram por algum trauma. No município de Alta Floresta há dois casos em que os parentes não sabem nem previsão e quando poderão ver, velar e sepultar o ente querido.
O caso de Evanildo Amancio de Souza, conhecido Parazinho é um deles. Morto assassinado no final do mês de novembro, o corpo dele foi levado ao IML, mas nunca foi liberado para a família. Natural do estado do Pará, ele estava sem documento quando espancado a pauladas na cidade de Nova Bandeirantes, foi internado em estado grave no Hospital Regional de Alta Floresta onde acabou falecendo em 29 de novembro.
Sua mãe saiu de uma pequena cidade da região de Santarém, viajando cerca de dois dias de barco e mais um dia de carro para chegar até Alta Floresta no norte de Mato Grosso. Maria Juana, que viajou com apoio de doações financeiras, nunca conseguiu sequer ver o corpo do filho. Ela coletou exame para DNA e aguarda, morando de favor, a liberação qual não sabe quando vai acontecer. “Queria pelo menos ver o corpo dele”, apelou a idosa de mais de 70 anos.
Jovem vítima de acidente
O caso de Parazinho não é único. No início do mês de fevereiro de 2021 o jovem Edson Daniel, funcionário de uma agência bancária, saiu do município de Alta Floresta numa segunda-feira, dia 1º para trabalhar. Mas no meio do caminho, na MT-208, sentido Nova Bandeirantes, acabou se envolvendo num acidente. Seu carro pegou fogo e ele morreu carbonizado. O corpo também foi levado ao IML. Foi coletado material do pai para exame de DNA, mas o corpo nunca foi liberado, mesmo a família cobrando quase que diariamente. “A gente não vale nada. Parece que é qualquer objeto que tá lá e se a gente cobrar, acho que as pessoas vão se irritando e aí que não agilizam mesmo. Mas é duro demais pra nós. Hoje saí de casa deixei minha mulher novamente chorando. No meu caso, nem sei como estou conseguindo falar aqui agora”, declarou Edson pai, já lacrimejando e sem uma data para poder velar e depois sepultar o filho vítima de acidente.

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