Andhressa Barboza
Acusada pelo deputado federal bolsonarista Nelson Barbudo (PSL), de fazer uma “oposição assassina” ao comentar as 100 mil motes por Covid-19, a federal Rosa Neide (PT) disse que prefere seguir seu caminho e o colega destoa dos demais membros da bancada do estado no Congresso.
“Tenho uma relação muito respeitosa com meus colegas, por ser mulher e ter histórico na educação. Nosso líder Neri Geller (PP), não tenho nenhuma dificuldade nas relações, o deputado Doutor Leonardo (Solidariedade), que é médico, a gente discute muitas questões sobre a pandemia. Os três senadores são muito parceiros”, comentou a deputada que é a única mulher na bancada.
Barbudo não acredita na letalidade da Covid-19 e contesta o número de mortos. Para Rosa Neide, em publicação que gerou a reação do colega, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria culpa por negligencias no cuidado à saúde pública.
“Se tem algum equívoco de números, é de responsabilidade do governo federal que esconde dados”, argumenta a parlamentar, entrevistada pelo RDTV na sexta (14).
Quanto ao vídeo em que Barbudo rebate as críticas ao governo Bolsonaro, a petista lamenta ter que comentar o número de mortes e que preferia “ter paz para as famílias”, mas considera que é importante falar sobre o assunto diante da negação da gravidade da doença por parte da população.
“Não me preocupo com uma pessoa que destoa da maioria, sigo meu caminho. Eu até me propus a não ver esse vídeo dele, tenho mais de 40 anos de vida pública, fui professora, secretária de educação, tenho responsabilidade com o que falo e publico. Não sou do grupo polêmico que acha que quanto pior, melhor”.
200 mil mortos
Citando o estudo desenvolvido por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, que prevê 200 mil mortos por Covid-19 até o final de outubro, a parlamentar considera que a situação é grave e lamentou a instabilidade no governo federal para lidar com a crise, como a troca de ministros da saúde e ausência de nomeação desde a saída de Nelson Teich, em maio. O cargo é ocupado interinamente por Eduardo Pazuello.
“É assustador pensar que até outubro teremos 200 mil, espero que ele erre, que esteja errado, mas a primeira previsão foi acertada, passamos de 100 mil”, disse.




