Gustavo Sampaio
Jornal da Cidade
O cronometro já alcança os 51 minutos do segundo tempo quando Anselmo Ramon iniciou a corrida para a cobrança da penalidade máxima que daria a vitória à Chapecoense por 3×1 contra o Confiança, a conquista do primeiro título nacional da história do clube, a “cavadinha” que literalmente valeu o título, já que a primeira posição dividida com o América MG em número de pontos, foi decidida no saldo de gols.
Há quem acredite que a Chapecoense esteja “predestinada” a fatos incríveis. O Verdão do Oeste representa toda uma região, o orgulho de um povo, sentimentos que ficaram extremamente abalados após o trágico acidente em 2016 que vitimou 71 pessoas, exista quem goste de pensar que como “recompensa”, a Chape ganhou torcida “divina”. O fato é que depois do acidente houve grande mobilização para ajudar na reconstrução do clube, reconstrução de material humano e de sentimento. No meio do caminho houve percalços, o clube foi rebaixado para a Série B do Brasileirão, ficou na eminencia de ser rebaixado no estadual e entrou nesta temporada com a missão de “se salvar” e não sofrer novo rebaixamento. Trocas de profissionais na administração do futebol troca de técnicos, uma mescla de jovens jogadores com algumas lideranças mais experientes, como o caso de Alan Ruschel, capitão do título da Série B e sobrevivente do acidente aéreo.
A Chapecoense entrou em campo na última rodada empatada em número de pontos com o América MG, mesmo saldo de gols, o América MG liderava por ter mais gols marcados (3° critério de desempate). Chapecoense x Confiança e América MG x Avaí começaram na mesma hora, quis o destino (e algumas artimanhas) que o jogo em Belo Horizonte terminasse primeiro, o América MG venceu o Avaí por 2×1. Em Chapecó o mesmo placar, 2×1 para a Chapecoense, os resultados davam o título ao América MG, quando aos 48 minutos do segundo tempo, uma força excessiva de um defensor do Confiança, fez o arbitro Anderson Daronco marcar pênalti a favor da Chape. Todos os jogadores da Chape receberam uma carta de seus familiares antes da partida, a esposa de Anselmo Ramon (cobrador do pênalti) deixou este trecho para o atacante –”Amor de nossas vidas! Eu, Paola e Raffick amamos você e estamos com você em todos os momentos. Continue sendo ousado e sempre acredite até o último segundo. Você já é abençoado”. Uma premonição, o pênalti foi batido aos 51 minutos do segundo tempo, Anselmo Ramon cavou a bola do lado direito do gol, a Chapecoense passou o América MG no saldo de gols e sagrou-se campeã da Série B. O futebol e suas histórias, o futebol que nunca vai ser “apenas” futebol.
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