terça-feira, 29 setembro, 2026
25.4 C
Alta Floresta

CONVÊNIO: Em 2,5 anos, Aprosoja recebe R$ 138 milhões de recursos públicos

Compartilhe:

LÁZARO BORGES
A Gazeta
A Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) já recebeu R$ 138 milhões em dinheiro público desde que o ex-presidente da entidade, Antônio Galvan, assinou o convênio 2/2019, com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). O convênio foi firmado para que o dinheiro do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) seja destinado ao Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Igro), conforme lei estadual criada em 2019.
As informações foram coletadas pela reportagem do jornal A Gazeta com base em publicações feitas em Diário Oficial de forma dispersa e mensal, conforme a arrecadação do Fethab. A Aprosoja não publica balanços financeiros e, por conta disso, documentos do tipo só podem ser obtidos por produtores associados mediante solicitação formal.
Ao todo, a Aprosoja recebeu R$ 138.037.255,91 de dinheiro do Fethab entre fevereiro de 2019 e julho de 2021, dado do último extrato de repasse publicado. O valor pode ser maior porque a Sefaz não publicou a quantia repassada ao Iagro em maio deste ano, período normalmente marcado por alta na arrecadação da produção de soja e milho. Em maio de 2020, por exemplo, a Aprosoja recebeu R$ 7,3 milhões do Fethab.
Até julho de 2021, ainda durante a pandemia, a arrecadação do Iagro bateu recorde, e chegou ao valor de R$ 51,3 milhões. Em 2019, primeiro ano do convênio com a Sefaz, a arrecadação foi de R$ 38,4 milhões. Em 2020 o Iagro recebeu da Sefaz, por meio dos recursos do Fethab, um total de R$ 38,4 milhões.
O Iagro é uma entidade à Aprosoja, que tem como presidente o ex-líder da Aprosoja-MT: o produtor rural Antônio Galvan. Ele deixou a Aprosoja local para se tornar presidente da Aprosoja Brasil e se viabilizar como candidato ao Senado em 2022. Em seu lugar, ficou o produtor rural Fernando Cadore, que pertence ao mesmo grupo político. Antonio Galvan está no centro de uma disputa envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado em ações que tramitam na suprema corte de ser o principal fornecedor de recursos financeiros para os atos antidemocráticos realizados por apoiadores do presidente, que também defendiam a destituição de ministros do STF.
De acordo com os processos da STF, que tem como relator o ministro Alexandre de Moraes, Galvan teria utilizado dinheiro público para financiar atos democráticos que visavam fechar o STF na data de 7 de setembro. No dia 5 de setembro, a Polícia Federal cumpriu pedido de busca e apreensão contra a Aprosoja e Galvan. Na última quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes também determinou o bloqueio das contas da entidade.
Fundo dribla exigência de ICMS
O recurso disponibilizado para o Iagro, braço orçamentário da Aprosoja, vem através das arrecadações do Fethab, que são feitas pela própria Sefaz. O Fethab é uma espécie de contribuição que não é classificada pela Sefaz como imposto. Apesar disso, o governo solicita a contribuição de forma voluntária para produtores rurais que desejam ter suas mercadorias isentas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Como para os produtores é mais confortável não pagar ICMS, a opção mais recorrente é contribuir com o Fethab.
A discussão sobre a destinação destes recursos é antiga em Mato Grosso. De um lado, líderes sindicais e políticos mais ligados à esquerda dizem que o Fethab beneficia produtores rurais, que teriam que pagar muito mais imposto se o fundo não existisse. Estes líderes alegam que parte do imposto pago volta para a mão dos produtores através de entidades como o Iagro. De outro lado, políticos tradicionais e mais ligados à direita afirmam que a Fethab e outras isenções foram essenciais para tornar Mato Grosso um estado altamente produtivo e com uma economia sólida em relação a outras unidades da federação.
Bloqueio de contas
O bloqueio das contas da Aprosoja foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes ao atender um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR). De acordo com a PGR, o dinheiro do Fethab financiou diversos atos contra o STF. Segundo a procuradoria, a realização de atos de ataque à democracia e às instituições iniciou-se com entrevista do presidente da República informando que haveria contragolpe aos atos entendidos como contrários à sua gestão, em 15 de agosto do presente ano e que haveria a utilização de recursos das duas entidades, a Aprosoja Brasil e a Aprosoja MT.
“Para tanto, seriam utilizados fundos (Fethab e Iagro) compostos por recursos públicos (contribuições), os quais, segundo documento dos autos, não possuem uma maior transparência nem têm sido destinados para suas finalidades originárias, mas sim, como capital para o financiamento de agentes para a realização das condutas antidemocráticas acima descritas”, diz trecho da decisão do último sábado (4).

Alta Floresta
chuva fraca
25.4 ° C
25.4 °
25.4 °
65 %
1.8kmh
83 %
ter
38 °
qua
42 °
qui
40 °
sex
38 °
sáb
39 °

Últimas notícias

Artigos relacionados

SÉRIE B: Jogadores do Cuiabá tiveram gastroenterite em Maceió

Gustavo Sampaio Jornal da Cidade O Cuiabá foi derrotado pelo CRB por 3x0 no último domingo em Maceió. A derrota...

Polícia Militar localiza Fiat Strada furtada na MT-325 em AF

Notícia Exata Um veículo Fiat Strada que havia sido furtado anteriormente foi localizado abandonado na manhã de sábado (26),...

Use o E-Título – II

  O E-Título pode ser usado como documento de identificação, mas o eleitor que usar o título impresso obrigatoriamente...

FAVORITOS DERROTADOS Disputa por duas vagas ao Senado tem histórico de reviravoltas em MT

João Freitas Gazeta Digital Disputa por duas vagas ao Senado em Mato Grosso carrega, desde a redemocratização, um histórico de...