Por Arão Leite
Alta Floresta – Sair da informalidade e crescer no mercado é um sonho de todo empreendedor, principalmente daquele que inicia seu negócio com o mínimo de estrutura, mas com dedicação, foco e olhar futurista, de vencedor.
O município de Alta Floresta, polo regional do extremo norte de Mato Grosso é uma das cidades que mais crescem no país, com economia aquecida por vários setores e principalmente agronegócio, a situação não é diferente. Muito pelo contrário, trabalhadores que até pouco anos eram funcionários, abriram o próprio negócio e muitos empreendedores que viviam na informalidade, abraçaram as oportunidades e abriram suas empresas respeitando todos os meios legais e comemoram o crescimento a cada ano.
Da área de casa ao grande empreendimento
O município, conforme dados da Receita Federal e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT), lidera o ranking regional em número de empresas ativas, com 9.484 negócios formalizados. Há uma década pelo menos, Gildo Batista Júnior entrou na seleta lista. “Eu trabalhava na área da minha casa e depois conseguimos construir um salãozinho também na frente da residência, um pequeno salão 6 x 6. Mas foi assim que tudo começou e graças a Deus estamos vencendo”, contou o microempresário que já comemora as conquistas, mas não esquece o quanto foi difícil o início.
Gildo Batista Júnior, hoje com 39 anos, iniciou a carreira de tapeceiro aos 17, sendo ajudante. E assim trabalhou em várias empesas, aprendendo, ganhando muito pouco, até que uma década atrás, deixou seu último emprego. “Não foi fácil não. Mas senti que era o momento de investir em novos rumos. Minha mãe me deu muita força e não posso esquecer do padrasto que tive como pai, mas infelizmente não está mais com a gente”, detalha o empreendedor que se especializou em fazer tapeçaria de todos os tipos de veículo, instalação de som e insulfilm.
Mas o que levou o empreendedor ao crescimento, foi a recuperação e restauração de bancos de veículos, fato que ele lembra novamente o início onde precisou do apoio para adquirir sua primeira máquina de costura. “Um amigo me emprestou o dinheiro e começamos a trabalhar. No primeiro, segundo e terceiro ano foi bem complicado. Tínhamos pouco material, desconhecido no mercado, sem dinheiro ou crédito para comprar”, relata Gildo revelando que lá no começo todo o material que tinha na área da casa e depois no salãozinho dava somente para fazer a tapeçaria de um carro, para depois receber o dinheiro e comprar mais material, tirar a despesa, o lucro, quase que trocar seis por meia dúzia, mas nunca desistimos”, assegura.
A ascensão
Enquanto no tempo que era funcionário, Gildo Júnior trabalhava de segunda a sexta e às vezes no sábado até meio dia. Hoje a Lei Trabalhista prevê a mudança da escala 6 x 1 para 5 x 2. Mas Gildo, 10 anos atrás e sendo o empreendedor, o dono do próprio negócio, via que precisava de vez em quando fazer plantões e por isso chegou a manter como rotina expedientes que iniciavam das 7 horas da manhã às 21 horas, sábados, domingos e até feriados. “Eu mesmo via essa necessidade e assim consegui ótimos resultados. Mas é cansativo. Porém o retorno está aí”, aponta ele que começou a ver uma margem de lucro e do quarto ano para frente, ter o nome já reconhecido no mercado como Gildo Tapeçaria. “Lá atrás quase não éramos atendidos, pois não tínhamos dinheiro e sem crédito, mas depois passamos a ter uma gestão melhor, manter saldo na conta e aos poucos fomos estocando, comprando mais e mais e sempre nos qualificando na profissão e o trabalho cada dia mais reconhecido, o que consequentemente, só foi aumentando o número de clientes”, descreve.
Se o Microempresário só tinha estoque para fazer uma tapeçaria a cada três dias ou semana, o quadro na atualidade mudou. Gildo precisou sair no pequeno quadrado 6 x 6 na frente da casa da mãe para um grande salão de 200 metros quadrados localizado em um dos pontos comerciais mais requisitados de Alta Floresta. “Hoje graças a Deus temos aqui sete máquinas de costura, toda estrutura operacional e material para trabalhar tranquilo e direto por 30 dias, além de banco oferecendo crédito e fornecedores ligando a todo momento para entregar mais”, sorria o empreendedor.
Conquistas e Gratidão
E Gildo Batista, sempre que comenta sobre sua trajetória de vida e das conquistas, nunca deixa de agradecer aos clientes que confiam e gostam do seu trabalho. E esse reconhecimento da tapeçaria automobilística pode lhe dar pelo quarto ano consecutivo o título de Mérito Lojista através da pesquisa realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas.
Família é a base de tudo

O pai do empreendedor morreu quando ele era criança, mas teve o padrasto, já falecido também que ele considera até hoje como inspiração. Filho da dona de casa Marlene, Gildo é pai de dois filhos e um deles, João Vitor, com 20 anos, acompanha, depois de algum tempo fora do caminho, os passos do pai. “Dos 12 aos 15 anos eu sempre depois da escola, fiquei ajudando. Mas depois, aos 16, saí. Mas vi que é aqui a oportunidade de aprender, de seguir e vencer assim como ele está vencendo, é uma profissão boa, onde vejo meu futuro e só tenho a agradecê-lo por isso, pois a oportunidade que ele me dá é o que lá atrás ele não teve”, analisa o filho, um dos colaboradores da empresa.
Cidade das oportunidades
Histórias como da família de Gildo Batista recheiam os 50 anos de Alta Floresta, cidade que lidera, conforme números apresentados pelo Sebrae MT, o ranking regional em número de empresas ativas, com 9.484 negócios formalizados. Consolidou-se como um polo de empreendedorismo de pequena escala com mercado de trabalho formal em expansão. Os micro e pequenos negócios — categorias MEI, ME e EPP — somaram 1.378 aberturas em 2024 e saltaram para 1.669 em 2025, um avanço de 21,1% na comparação entre os dois anos completos.
Apenas nos primeiros quatro meses e meio de 2026, outros 833 novos negócios desse porte foram registrados, mantendo o ritmo elevado do ano anterior. O Microempreendedor Individual (MEI) é o motor desse crescimento: as aberturas passaram de 987 para 1.265 entre 2024 e 2025, um incremento de 28,2%. As Empresas de Pequeno Porte (EPP) tiveram alta proporcional ainda maior (+72,7%), enquanto as Microempresas (ME) recuaram levemente (-8,0%).
No mercado de trabalho formal, o município gerou saldo positivo em todos os períodos analisados. Foram +417 postos em 2024, +191 em 2025 e +222 apenas nos primeiros quatro meses e meio de 2026. Ao todo, o estoque de empregos formais em Alta Floresta passou de aproximadamente 12.935 vínculos no início de 2024 para 13.765 em maio de 2026 — um acréscimo líquido de 830 postos, equivalente a um crescimento de 6,4% no período. O setor de Serviços liderou a geração de empregos em todos os anos, seguido por Comércio e Indústria. “Alta Floresta é um polo de oportunidades e nós estamos aproveitando ao máximo”, finaliza o empreendedor.




