VITÓRIA GOMES
Midianews
O presidente do Hospital de Câncer de Mato Grosso, Laudemi Moreira Nogueira, afirmou que a Prefeitura de Cuiabá fez uma proposta irregular ao pedir “pedágio” para repassar emendas federais direcionadas à unidade de saúde.
O valor das emendas se aproxima do total de R$ 4 milhões e também faz parte dos mais de R$ 41 milhões que o Município deve ao HCan.
“Tem mais R$ 3 milhões de emenda parlamentar federal que está em posse da Prefeitura, sendo que R$ 2,4 milhões estão desde 2019. Por que o Hospital do Câncer não recebe essas emendas? Porque eu não aceitei pagar o pedágio de 20%”, disse Laudemi.
Ele explica que neste pedágio de 20% a Prefeitura teria exigido que o hospital pagasse ofertando serviços que são responsabilidade da rede básica.
No entanto, por ser uma demanda que não condiz com o trabalho da unidade de saúde, o presidente se recusou assinar os documentos e, por isso, diz ter sido alvo de retaliação financeira.
“Tenho documento do Ministério da Saúde dizendo que isso é totalmente irregular. A retaliação efetivamente começa quando eu me recuso a assinar um termo em que negociava 20% com o Município de serviços que não têm nada a ver com o Hospital de Câncer”, afirmou.
O HCan informou que atualmente o montante apropriado e retido pelo Município representa R$ 3.218.177. Deste valor, R$ 1 milhão foram encaminhados pelo deputado federal Carlos Bezerra (MDB); da bancada foram R$ 1.840.900 e da ex-senadora Selma Arrruda outros R$ 377.277.
O presidente ainda afirmou que o prefeito Emanuel Pinheiro sabe de toda a situação, mas apesar das inúmeras reuniões e acordos firmados, não cumpriu nenhuma das promessas.
“Eu não converso com ele [prefeito Emanuel] desde 2019 porque ele não honrou nenhum compromisso que fez com o Hospital, mas tenho certeza que ele tem ciência porque ontem à noite, em conversa com secretária de Saúde [Suelen Alliend] pelo WhatsApp ela disse que tudo que estava propondo tem aval do prefeito”, disse.
Outro lado
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que “estranha a deturpação do termo pronunciado pelo representante legal da Unidade Hospitalar onde cita que a SMS cobra “pedágios de 20%” sobre os valores das emendas parlamentares e sendo interpretado na imprensa como propina. Sendo, na verdade, que os 20%, são serviços prestados direto pela Unidade Hospitalar ao paciente SUS que está na fila aguardando”.
Por último, afirmou que tomará as providências cabíveis em relação “distorções dos fatos” supostamente feita pelo hospital.
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