EMILY MAGALHÃES
Folha Max
A operação Parasita deflagrada na manhã desta sexta-feira (5), pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (FICCO/MT) em conjunto com a Polícia Federal, já cumpriu 13 mandados de prisão em Mato Grosso, em combate uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes conexos.
“O trabalho movido pela FICCO conseguiu identificar através da análise bancária e fiscal dos principais investigados, desvendar que eles movimentaram cerca de R$ 18 milhões. Foram detectados atos típicos de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e abertura de empresas fantasmas, que eram incompatíveis com a função que essas pessoas declararam”, disse o Delegado de Polícia Federal, Jorge Gobira.
Ao todo, são 21 mandados de prisão preventiva em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Pernambuco. No estado, foram presos três acusados em Feliz Natal, dois em Barra do Bugres, um em Jaciara e três em Cuiabá.
Nove pessoas foram presas hoje e outros quatro já estavam detidos, sendo um deles o líder do Conselho Final do Comando Vermelho, Luciano Mariano da Silva, conhecido como ‘Marreta’, que utilizava dos demais integrantes e até mesmo da estrutura de outra organização criminosa visando aferir lucros, isoladamente. O acusado comandava a organização de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE). Ainda foi constatado que ele havia comprado imóveis em nomes de laranjas para movimentação de dinheiro.
“Os investigados utilizavam uma técnica conhecida como smurfing para transferir pequenas quantidades de dinheiro, de maneira que tornasse a lavagem de dinheiro mais indetectável”, explicou o delegado.
De acordo com o Secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, a Penitenciária do Estado está sendo reestruturada para que não ocorra mais esse tipo de situação. “Nós não podemos ter criminosos presos, comandando o crime de dentro dos presídios. Já fizemos algumas alterações e estamos melhorando a estrutura para diminuir o crime organizado de dentro das cadeias”, disse Bustamante.
Nos outros estados, quatro criminosos já estavam presos e a polícia apreendeu mais quatro suspeitos, sendo que uma é mulher, e será transferida para Mato Grosso. A justiça ainda determinou ainda o bloqueio de até R$ 12 milhões nas contas dos investigados, além do sequestro de diversos imóveis, valores em espécie e veículos pertencentes aos criminosos.
As investigações
No decorrer das investigações, ficou demonstrado que os alvos atuavam no tráfico de drogas em diversos municípios de Mato Grosso, dentre eles Barra do Bugres, Alto Paraguai, Jaciara, Nova Olímpia, Feliz Natal e Nova Mutum. Nestas cidades, qualquer traficante que pretendesse comercializar entorpecentes deveria ser previamente autorizado pelos líderes, sendo obrigado a adquirir a droga diretamente do grupo.
O grupo era responsável pela carga de cerca de 500kg (quinhentos quilogramas) de maconha, apreendida em 2019, em Rondonópolis. Na oportunidade, apenas duas adolescentes haviam sido apreendidas quando mantinham a droga em depósito a mando dos líderes da organização investigada.
As investigações apontaram ainda que a organização criminosa funcionava como uma espécie de franquia do crime, com conexões e relações comerciais com outras organizações criminosas, dentro e fora de Mato Grosso. O grupo organizava a logística de fornecimento de entorpecentes a integrantes de outras organizações atuantes na região nordeste do Brasil.
Os integrantes pagavam taxas mensais e eram obrigados a repassar boa parte dos lucros das atividades aos líderes. A organização criminosa investigada possuía setores operacional, contábil e financeiro. Os principais membros, que já se encontravam presos, contavam com a ajuda de outros em liberdade para executarem suas ordens, recolhimento de dinheiro, distribuição de drogas e fiscalização das movimentações financeiras.
OPERAÇÃO PARASITA: Facção abria empresas de fachada e comprava imóveis para “lavar” dinheiro do tráfico em Mato Grosso
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