EMILY MAGALHÃES
Folha Max
O senador Jayme Campos (DEM) afirmou que vê como um certo exagero os motivos que levaram ao afastamento do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) na “Operação Capistrum”. O gestor foi afastado do cargo por conta da suposta contratação de 259 servidores por indicações políticas e irregularidades no pagamento do Prêmio Saúde. As declarações do congressista foram dadas na manhã desta sexta-feira (22), em entrevista à Rádio Capital.
Segundo Jayme, essa é uma prática comum entre prefeito e governadores, principalmente em situações emergenciais, como o período de pandemia da Covid-19. “Emanuel Pinheiro é meu amigo, acho que está fazendo uma boa gestão. Se o fato que está saindo na imprensa é real, que ele foi afastado que contratou 250 pessoas na área da saúde, não sobra um prefeito no Brasil, nenhum governador, não sobra ninguém, principalmente nesse momento de pandemia”, disse o democrata.
Ele citou que alguns dos indicados por políticos podem ter qualificação técnica para ocupar os cargos. “Se não teve um critério técnico não sei explicar, porque falam que foram indicações políticas. No país democrático tem as indicações políticas. Se você é vereador, leva uma senhora ou senhor que é formado em enfermagem para ser contratado, não vejo nenhuma dificuldade. Se esse foi o fato para não tinha motivo nenhum, acho que houve certo exagero. Mas, de qualquer forma temos que respeitar a decisão judicial”, acrescentou Jayme.
Jayme ainda comentou que a situação do valor do “prêmio saúde”, que era estipulado por meio de “bilhetinhos” devia ter algum critério. Ele usou como exemplo o município de Várzea Grande, em que sua esposa, Lucimar Campos (DEM), exerceu mandato como prefeita até o fim do ano passado.
“Eu imagino que tenha critério. Na prefeitura de Várzea Grande, por exemplo, as pessoas que estão trabalhando a frente do combate à Covid estavam recebendo uma gratificação extra. Essas pessoas tinham direito até porque estavam correndo risco de vida. Agora, como é feito em Cuiabá isso não sei. Essa questão de bilhetinho é cultural no Brasil, mas não há mais ambiente para esse tipo de política”, pontuou.
SITUAÇÃO POLÍTICA
Por fim, o senador avaliou que Emanuel tem condições de reverter a situação, já que ele seria ‘vacinado’ contra escândalos políticos. Antes de ser afastado, o prefeito era cotado para disputar o Governo do Estado no próximo ano. “Nunca é bom, qualquer fato como esse fere a autoestima da pessoa. Agora, se vai prejudicar politicamente acho que essa altura do campeonato ele não está nem muito preocupado com isso, está preocupado em retornar ao cargo. Nunca bom na política isso aí, mas o Emanuel Pinheiro acho que está bem vacinado depois de tudo que aconteceu com ele lá atrás, ainda conseguiu ganhar a eleição de todo mundo. Vamos respeitar, é um craque, tem prestígio”, finalizou o senador.
A referência de Jayme é o “escândalo do paletó”, em que o prefeito foi gravado recebendo dinheiro das mãos de Sílvio Correa, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa. Em delação, o ex-governador falou que os recursos eram propina paga para garantir a governabilidade na Assembleia Legislativa.
Mesmo diante do escândalo, que foi amplamente explorado na campanha, o prefeito conquistou a reeleição.
CONTRATAÇÕES POLÍTICAS: Senador vê exagero em afastamento de EP e diz que “bilhetinho é cultural”
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