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DELAÇÃO DE RIVA: Na AL, Fabris teria um “tratamento privilegiado” e recebeu R$ 12 mi

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Por Mikhail Favalessa
Em sua tentativa de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual, o ex-presidente da Assembleia José Riva detalha que o ex-deputado Gilmar Fabris (PSD) teria recebido “tratamento privilegiado” por determinação dos ex-governadores Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa. No total, Riva calcula que Fabris tenha recebido R$ 12 milhões da propina mensal, o chamado “mensalinho”.
O documento foi encaminhado à procuradora Ana Cristina Bardusco, coordenadora do Gaeco, responsável por diversas investigações envolvendo o ex-parlamentar. Riva vem tentando a delação desde 2017, quando começou a relatar crimes à PGR. No Supremo, o acordo não foi homologado.
No trecho em que cita Fabris, o ex-presidente da AL detalha o pagamento de propina entre 7 de outubro de 2003 e 1 de fevereiro de 2013, sendo que o mensalinho teria sido pago em cinco condições distintas.
“Nesse ínterim, situação diferenciada era a do deputado Gilmar Fabris, que nos dois últimos governos (Blairo Maggi e Silval Barbosa), recebia os valores referentes à propina, ainda que suplente, uma vez que, por determinação de ambos, deveria ter tratamento privilegiado, ou seja, receber a propina em dobro para manter seu pessoal contratado e pago por fora, acrescido de salário e mais verba indenizatória”, destaca.
O pretenso delator afirma acreditar que a informação é inédita. Entre outubro de 2003 e janeiro de 2005, teriam sido pagos R$ 640 mil a Fabris, sendo R$ 30 mil mensais, por meio de Riva, Silval Barbosa e Tergivan Moraes. De fevereiro de 2005 a janeiro de 2007, teriam sido repassados R$ 1,1 milhão, sendo R$ 35 mil por mês.
Já entre fevereiro de 2007 e janeiro de 2011, outros R$ 2,2 milhões teriam sido pagos. No período seguinte, que vai de fevereiro de 2011 a janeiro de 2013, Fabris teria recebido R$ 3,2 milhões, com uma propina mensal de R$ 100 mil.
O último período delatado por Riva em relação a Fabris vai de fevereiro de 2012 a janeiro de 2015. Por meio de Mauro Savi, Sérgio Ricardo, Luiz Pommot e Romoaldo Júnior, teriam sido pagos R$ 4,8 milhões ao ex-deputado, sendo uma propina mensal de R$ 150 mil.
Fabris foi presidente da Assembleia entre 1995 e 1996. No perído citado no documento, o ex-deputado não ocupou qualquer cargo na Mesa Diretora, apesar dos valores expressivos relatados. Ele só voltou ao núcleo de comando do Parlamento em 2018, como vice-presidente, deixando o cargo ao ter a candidatura de reeleição impugada com base na Lei da Ficha Limpa.
Riva afirma ser possível comprovar os pagamentos ilegais por meio de comprovantes bancários e notas promissórias, e também a participação dos parlamentares no desvio de recursos Assembleia por meio da assinatura de relatórios de recebimento de materiais falsificados, de forma individualizada.
Segundo o documento, Fabris “atestou falsamente o recebimento de materiais e serviços não entregues/prestados à ALMT pelas empresas alhures citadas como forma de conferir suporte ao pagamento de propina”.
Em um dos casos, o ex-deputado teria recebido R$ 100 mil em pagamento ilegal, referente a um mês de propina, pago com recursos da Assembleia por meio de uma transferência bancária.
Como provas adicionais, Riva ainda cita uma planilha descritiva apresentada no processo da Operação Ventríloquo. O documento comprovaria que Fabris se utilizou da ex-servidora Ana Paula Ferrari Aguiar para receber R$ 95 mil da propina desvendada pelo MPE na operação.
Outro lado
A reportagem tentou contato por telefone com o ex-deputado Gilmar Fabris, mas as ligações não foram atendidas.

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