Pablo Rodrigo
Gazeta Digital
O ex-governador Silval Barbosa era obrigado a ficar pelado antes de seus depoimentos junto à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, durante o período em que esteve preso em setembro de 2015 e junho de 2017. A revelação é do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que chegou a defender o ex-chefe do Palácio Paiaguás.
Em entrevista ao canal MyNews no Youtube, quando comentava a situação do senador e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro (União), o advogado afirmou que Selma usava o mesmo modus operandi da Lava Jato.
“Em Mato Grosso tinha uma juíza que se falavam ‘Moro de saia. Ela foi cassada por corrupção em um ano. Ela fez exatamente o que o Moro fez. Eu sei, porque fui advogado de um governador do Estado e ela, antes de ouvi-lo, mandava ele para uma salinha e tirava a roupa dele para humilhá-lo, para quebrar a moral dele antes do depoimento, deixava ele nada”, afirmou Kakay na semana passada.
Ao ser questionado sobre qual base jurídica para que a então magistrada pudesse exigir isso, o advogado alegou que não existe nenhuma base para fazer isso com o ex-governador. “Quando você tem um sistema autoritário, é isso que acontece com o negro e o pobre na periferia, só que não sai na imprensa. Os invisíveis sociais, quando vão depor, são humilhados no dia a dia”, argumentou.
Kakay também comparou a situação de Silval com a de pobres e negros, que passam por isso sempre na justiça. “Ele representa uma elite que está sofrendo aquilo que os negros e pobres sofrem no dia a dia e que ninguém ouve falar”, completou.
Selma Arruda ganhou notoriedade ao determinar a prisão de grandes figurões da política mato-grossense, como o ex-deputado José Geraldo Riva e Silval Barbosa em 2015. Sua atuação fez com que ganhasse o apelido de ‘Moro de Saias’, já que atuou na mesma época do auge da Lava Jato.
Aproveitando a notoriedade, se aposentou em 2018 para disputar o Senado Federal. Foi eleita sob a onda bolsonarista. Porém, ela foi acusada de caixa 2, abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos durante a campanha de 2018. Em abril de 2019, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) cassou o seu mandato por unanimidade. Já em dezembro do mesmo ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manteve a cassação por 6 a 1.
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