terça-feira, 22 setembro, 2026
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CRÍTICA AO GOVERNO FEDERAL: Não vamos camuflar os dados nem esconder os números, diz secretário

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Andhressa Barboza
Com o colapso do sistema de saúde em vários estados e na iminência de alcançar 100% de ocupação dos leitos de UTIs em Mato Grosso nas próximas semanas, os secretários de Estado de Saúde reagiram à decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de não divulgar o número total de mortos, que chega a quase 37 mil. Em nota, a entidade que representa os secretários considerou a medida como “tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19”.
Para o titular da pasta em Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, a gestão da saúde no país não tem dado conta da situação. Ele condenou a postura do Ministério da Saúde e disse que “a pandemia é muito pior do que o governo federal tenta transparecer”.
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirmou que vai disponibilizar, por meio de plataforma online, os dados atualizados de todos os estados. “Não vamos camuflar dados e nem esconder os números”, disse Gilberto que é vice-presidente regional do conselho.
Gerou revolta a decisão do Ministério de divulgar somente os casos e mortes do dia. “Além disso teve falas de um de seus gestores desconfiando dos secretários que estariam maquiando as estatísticas”, explicou em entrevista à Rádio Mega FM nesta segunda (8).
As informações da plataforma são as mesmas enviadas ao Ministério da Saúde e a iniciativa busca dar transparência aos dados. O governo federal chegou a sinalizar que recuaria da decisão de omitir os dados, mas o Conass ainda deve manter a divulgação paralela mesmo que voltem a sair as informações nos boletins oficiais.
Nota de repúdio do Conass
O CONASS repudia com veemência e indignação as levianas afirmações do Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Wizard.
Ao afirmar que Secretários de Saúde falseiam dados sobre óbitos decorrentes da Covid-19 em busca de mais “orçamento”, o secretário, além de revelar sua profunda ignorância sobre o tema, insulta a memória de todas aquelas vítimas indefesas desta terrível pandemia e suas famílias.
A tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19, não prosperará.
Nós e a sociedade brasileira não os esqueceremos e tampouco a tragédia que se abate sobre a nação.
Ofende Secretários, médicos e todos os profissionais da saúde que têm se dedicado incansavelmente a salvar vidas.
Wizard menospreza a inteligência de todos os brasileiros, que num momento de tanto sofrimento e dor, veem seus entes queridos mortos tratados como “mercadoria”.
Sua declaração grosseira, falaciosa, desprovida de qualquer senso ético, de humanidade e de respeito, merece nosso profundo desprezo, repúdio e asco.
Não somos mercadores da morte.
A vida é nosso valor maior, com ela não se negocia, relativiza ou transige.
O povo brasileiro é forte e resiliente, seguiremos a seu lado e juntos para preservar sua saúde e salvar vidas.

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