Por Arão Leite
Alta Floresta/MT – A ocorrência policial registrada na cidade de Vera, no Norte de Mato Grosso, culminando com a morte do jovem Diego Kaliniski, de 25 anos, repercute em todo o país. A abordagem dos dois policiais militares, com reação do grupo de pessoas que foram para cima após a detenção de um suspeito, evoluindo para resistência, desacato e agressão contra os agentes, é também manifestada pela população. Muita gente aponta excesso dos servidores da segurança pública, principalmente do PM que sacou a arma e atirou pelo menos três vezes contra filho de família pioneira daquele município.
O velório e sepultamento foi marcado por clima de tristeza e revolta. Já os policiais envolvidos já foram afastados de suas funções. Comandante geral da PM lamentou o episódio e assegurou apuração rigorosa. Por outro lado, a reação dos jovens acusados de perturbação ao sossego público, principalmente do jovem Diego, que reagiu de forma violenta à abordagem, tendo apoio de outras pessoas, é analisada com cautela.
Criador do sistema que doutrina as ações policias nas ruas de Mato Grosso, Coronel Antônio Ribeiro de Moraes disse que esse foi um fato lamentável e que a Justiça saberá dar à punição aos devidos culpados. Mas observou que os dois policiais, mesmo já estando em baixo efetivo, seguiram o Procedimento Operacional Padrão conforme a estrutura funcional que tinham em mãos.
De acordo com o oficial, os agentes foram atender uma ocorrência de perturbação. Usaram da verbalização. No entanto, mais tarde foram acionados para o mesmo local, já caracterizando desobediência e com a abordagem, os suspeitos reagiram evoluindo para detenção de Diego. “Quando ele estava praticamente imobilizado, outros chegaram”, analisou Ribeiro vendo pelo vídeo que o policial, coagido, teve o cassetete tomado e que o agressor foi em sua direção para acerta-lo. “Naquele momento, já na terceira etapa (do POP), seria usado o teaser, que segundo soubemos, ele não tinha”, pontuou o oficial vendo que o agente atuou com sua última alternativa.
E a falta de mais policiais em uma ação semelhante e também da arma de choque, segundo o oficial criador do Procedimento Operacional Padrão, é uma carência antiga da Polícia Militar e que é responsabilidade do governo estruturar a corporação. “Está no POP”, finalizou. “É para o estado dar essa estrutura. Mas infelizmente aconteceu essa tragédia”, finalizou.
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