Mikhail Favalessa
Rd News
Com pouco mais de dois meses no cargo, o novo reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFMT), Júlio Cesar dos Santos, elencou entre suas prioridades a conclusão de obras e reformas iniciadas em 2020, ainda na gestão de Willian Silva de Paula, e a retomada da implantação do campus de Várzea Grande. Projetou ainda que a instituição deve aumentar o número de alunos com oferecimento de cursos na modalidade de Ensino à Distância (EaD).
Para 2021, o IFMT tem orçamento aprovado de R$ 246,8 milhões, que é 39,3% menor que o orçamento de 2020, estipulado em R$ 406,9 milhões. Do total de recursos previstos para este ano, 77,4% está comprometido com custos de pessoal e outros encargos sociais. Há previsão de R$ 45,8 milhões para custeio, e outros R$ 9,7 milhões para investimentos. São campi em 19 cidades pelo Estado, sendo que o maior orçamento fica em Cuiabá: R$ 9,7 milhões.
“Muitos dos nossos campi, que começaram a sua implantação em 2013 e 2014, hoje têm uma situação de infraestrutura bastante indesejável no sentido de que nós precisamos de investimentos nessas áreas”, disse Santos ao RD News
O reitor aponta que foram iniciadas 20 obras em 2020, incluindo salas de aula, laboratórios, auditórios, ginásios para prática esportiva, entre outras estruturas. “Então o nosso planejamento para este ano é que estamos concluindo as obras iniciadas no ano passado, e agora, em agosto, vamos concluir a licitação de retomada do campus em Várzea Grande, que são as nossas duas prioridades fundamentais em relação à infraestrutura”, projetou.
Com cenário de cortes no Ministério da Educação (MEC) promovido pelo Governo Bolsonaro, parte dos recursos de investimentos têm sido garantidos por meio de emendas parlamentares, destinadas em 2021 pelo senador Wellington Fagundes (PL) e pelos deputados federais Emanuelzinho (PTB) e Rosa Neide (PT). O reitor fala em defender a destinação de recursos para a Educação, em especial por meio do CONIF, que reúne os reitores de institutos federais, mas pondera que as instituições estão, necessariamente, submetidas ao MEC, sendo necessário uma relação respeitosa.
Projetos apresentados ao MEC e outras parcerias devem garantir R$ 10 milhões que o novo reitor contabiliza para além do orçamento já previsto. A retomada das obras em Várzea Grande, inclusive, deve ter andamento com esses recursos, segundo ele.
Educação à Distância
O IFMT tem hoje 22 mil alunos entre educação superior, básica e profissional. Santos busca “ampliar consideravelmente” o número de estudantes com uso do EaD, estimando chegar a 40 mil. Para isso, o instituto busca parcerias com Estado, prefeituras e outras instituições, além de oferecer cursos próprios pelo Centro de Referência de Educação à Distância (CREaD) e também aqueles viabilizados via Universidade Aberta do Brasil (UAB) do Governo Federal.
O novo reitor cita atividades que já estão em andamento, como uma especialização para 760 agentes da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal, e o curso de formação de capitães da PM, ambos feitos com recursos próprios. O IFMT negocia parceria com o Sintep, que representa os professores do Estado, para oferecer curso superior em tecnologia para cerca de 10,2 mil técnicos da educação estadual, entre outros.
“Se tem uma coisa que a pandemia fez foi acelerar esse processo de Educação à Distância no nosso país”, avalia Santos.
Sem previsão de retorno
Em meio à pandemia da Covid-19, aliás, o IFMT segue sem aulas 100% presenciais em todo o Estado. O reitor afirma que ainda não há prazo para o retorno e que comitês com participação de todos os campi fazem um levantamento, com previsão para finalização em 6 de julho, que deve indicar as condições para a volta do ensino presencial.
A expectativa é que na medida em que a vacinação avance nos municípios seja possível retomar atividades. Como o funcionamento ainda assim deverá respeitar normas sanitárias próprias ao período, Santos afirma que o comitê também levanta os investimentos que serão feitos com compra de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras e face shields, pequenas obras para abrir a circulação de ar em determinados ambientes, entre outras medidas. “Voltar, só de forma segura”, promete.
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